O cidadão acorda, olha no espelho e percebe novamente que viveu toda a sua vida com pequeno tubo em suas costas que lhe goteja o petróleo diário. Com fome abre a geladeira e nada encontra. Esta vazia já há mais de uma semana. A comida estraga nas estradas, única via para o fluxo das mercadorias…

Caminhoneiros bloqueiam as pistas, petróleo deixa de gotejar, barriga dói. Cidadão quer ver a namorada, circular na city, mostrar carro novo, mas tanque está vazio … decepção, ódio e irritação. Porra, é locaute, porrada nesses caminhoneiros! O vizinho arremeda de lá…é greve seu coxinha fdp, culpa do mercado! Petralha, muito Estado dá nisso, intervenção militar já! Todo apoio aos grevistas! Ou… e e a gasolina?

Governo anuncia que vai pagar tudo, tira da educação, meio ambiente e saúde …o preço do Diesel vai cair. Cidadão chuta a parede — E minha gasolina? Quero mais barata, porra!

O petróleo deixa de gotejar…a fome aumenta. O cidadão olha as janelas e vê entre os escombros os sobreviventes andando numa cidade coberta de asfalto e concreto. É a multidão faceira e rebelde, nada os impediam, eram muitos e muitas. O sonho do cidadão foi realizado, finalmente. Um mar de baratas sem fim ocupa a cidade.

Antropologia, Ecologia Política e Contracolonialismo no Antropoceno twitter: thiagotxai Academia:ufam.academia.edu/ por Thiago Cardoso

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